Ferido, magoado, vazio, perdido, sem música, assonante... eu queria um sax, uma voz rouca, algo que chorasse o que eu não consigo chorar, de morto, de perdas... réquiem em ré menor não serve, eu não quero. Eu poderia fazê-lo, criá-lo agora, mas não o faria por algum motivo não sei qualé. O que há é alegre demais, muito carnaval, pouco real. Queria conhaque, queria frio e chuva – seria menos prosaico e mais apropriado. Entretanto, nem encontrar o que suponho tanto ter é fácil, imagine o resto. Parece-me até idiota, porquanto nem sei que porra lá ando querendo, só sem que tem som de chuva no sax e voz rouca chorando as lágrimas que são minhas, que seriam pecados saídos, se fossem saídos de mim. Onde estás? Vazio, dentro da minha coleção de coletivos, perdido no nada, perdido no mundo que se perdeu. Triste. E eu que o tinha tanto... jurava tê-lo bastante, mais que suficiente, pra estragar, assim de podre, me falta agora e é tão bizarro, tão vazio, tão minguante. Sim, minguante. Mínguo, perplexo, sem te encontrar agora. E, justo eu, que jurava te ter tanto...
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Música que chorasse as lágrimas que são minhas
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