quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Música que chorasse as lágrimas que são minhas

Eu procuro, mas não encontro. Logo eu que jurava tê-lo tanto, quase uma coleção de muitos, de coletivo, mas não era nada, quase nada, tão nada que de nada me faltava agora, agora que o quero tanto, que o procuro e não o encontro, que não há em tantos, em tatos ou afagos. Nada que possa se aproximar do que eu quero, e suponho querer tão pouco, quase nada, que me perco, sem encontrar o que procuro.

Ferido, magoado, vazio, perdido, sem música, assonante... eu queria um sax, uma voz rouca, algo que chorasse o que eu não consigo chorar, de morto, de perdas... réquiem em ré menor não serve, eu não quero. Eu poderia fazê-lo, criá-lo agora, mas não o faria por algum motivo não sei qualé. O que há é alegre demais, muito carnaval, pouco real. Queria conhaque, queria frio e chuva – seria menos prosaico e mais apropriado. Entretanto, nem encontrar o que suponho tanto ter é fácil, imagine o resto. Parece-me até idiota, porquanto nem sei que porra lá ando querendo, só sem que tem som de chuva no sax e voz rouca chorando as lágrimas que são minhas, que seriam pecados saídos, se fossem saídos de mim. Onde estás? Vazio, dentro da minha coleção de coletivos, perdido no nada, perdido no mundo que se perdeu. Triste. E eu que o tinha tanto... jurava tê-lo bastante, mais que suficiente, pra estragar, assim de podre, me falta agora e é tão bizarro, tão vazio, tão minguante. Sim, minguante. Mínguo, perplexo, sem te encontrar agora. E, justo eu, que jurava te ter tanto...